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A Paz e Misericórdia de nosso Deus! Porque Deus lhe sonda os rins, penetra até o fundo de seu coração, e ouve as suas palavras.Nem a menor murmuração lhe passa despercebida. Acautelai-vos, pois, de queixar-vos inutilmente, evitai que vossa língua se entregue à crítica.Porque até mesmo uma palavra secreta não ficará sem castigo e a boca que acusa com injustiça arrasta a alma à morte.Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma.Ele criou tudo para sua existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Cf Sb 1, 6b-14
Na sua imensa misericórdia Deus antes de nos fazer uma correção ou advertência inicia dizendo “Eu ouço as suas palavras”. Que alegria! Que bom sermos lembrados, mais uma vez, de que Ele nos escuta, de que nossa voz lhe chega aos ouvidos. Isso nos deixa tranquilos, sobretudo, se tivermos que lhe dirigir uma necessidade urgente. No entanto, me entristece o coração saber que tantas palavras vãs, maldosas, reclamações que profiro também chega aos ouvidos de Deus: “Nem a menor murmuração lhe passa despercebida”. Como somos tardos de inteligência, diria o Mestre. Se logo no início Deus revela que “ouve as nossas palavras”, então, não teríamos nada para murmurar ou reclamar, pois Ele disse: “Eu te ouço”! No meu coração essas palavras ecoam como: “ Eu cuido de você, Eu te percebo, estou contigo!”. E, se assim é, do que reclamar? Não deveríamos agradecer? Mas eu sei que não é tão simples assim... Nossa fraqueza, nossa inclinação para o pecado, faz com que falemos o que não gostaríamos. Quantas vezes, peco com minha língua não somente murmurando, mas ainda sendo grosseira ou ofendendo aos irmãos. Quantas vezes não só falamos mal como gritamos e, às vezes, temos vergonha de louvar a Deus em voz alta. Outras palavras vem nos advertir quanto às palavras grosseiras: “Meu filho, não mistures a repreensão com o benefício, não acrescentes nunca palavras duras e más às tuas dádivas. Porventura o orvalho não refresca o calor ardente? Assim, uma palavra doce vale mais do que um presente. A doçura das palavras não prevalece sobre a própria dádiva? Mas uma e outra coisa se encontram no homem justo. O insensato censura com aspereza; a dádiva de um indiscreto resseca os olhos. Antes de julgar, procura ser justo; antes de falar, aprende.”Eclo 15-19 “Não repitas uma palavra dura e maldosa, e não serás prejudicado.” Eclo 19,7(Com o título silêncio vale ouro) E ainda mais “uma categoria de palavras” que não devem sair de nossos lábios: as palavras vãs! Como nos ensina a Edna. “Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado.”Mt 12,34b-37 Mas não nos desesperemos. Deus vem em nosso auxílio! “Mas aquele que levou em consideração o alarme, esse terá salva a sua vida”. Cf Ez 33, 5b Ter consciência de que nossos lábios podem ser fonte de vida ou morte, benção e maldição já um grande passo para mudarmos. O próximo passo e o mais importante é humilhar-nos debaixo da mão do Senhor e bendizer-lhe pela nova oportunidade e pedir-lhe a graça de lábios puros e silenciosos como os de Maria. Uma vez um padre me disse que sua “técnica” era morder a língua até machucar, outras vezes contava até dez... A “técnica”, bem como a decisão, é nossa! A graça vem de Deus! Louvado seja!!! Rezemos: “Quem porá uma guarda à minha boca, e um selo inviolável nos meus lábios, para que eu não caia por sua causa, e para que minha língua não me perca?Senhor, meu pai e soberano de minha vida, não me abandoneis ao conselho de meus lábios, e não permitais que eles me façam sucumbir.” Eclo 22,33 – 23, 1 “Que Deus me permita falar como eu quisera, e ter pensamentos dignos dos dons que recebi, porque é ele mesmo quem guia a sabedoria e emenda os sábios, porque nós estamos nas suas mãos, nós e nossos discursos, toda a nossa inteligência e nossa habilidade.” Sb 7,15 “Ponde, Senhor, uma guarda em minha boca, uma sentinela à porta de meus lábios”. Sl 140,3 Amém. Thaís |