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A caridade fraterna - passo de santidade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Luciana   
Qui, 11 de Fevereiro de 2010 11:03

          O ponto de partida para entendermos a caridade fraterna é o fato de que “Deus é amor” (1 Jo 4, 8). Ele é Trindade, uma família de amor! E nós fomos criados pelo Amor, por amor e para o Amor.

          Será possível que não sejamos assim se fomos criados para isso? Como é possível que não vejam isso em nós?!

          E realmente, meus irmãos, nem sempre deixamos o amor refletir-se em nossas ações, em nossas palavras, em nosso olhar...

          E São João mesmo nos alerta que: “se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê. Temos de Deus este mandamento: o que amar a Deus, ame também a seu irmão” (I Jo 4, 20-21).

 

        Assim, a respeito da gravidade desse pecado, sabendo que Deus é amor, quando faltamos com a caridade – ou seja, com o amor - estamos em falta com Deus!

       A caridade abrange todos os mandamentos. Ela é uma virtude teologal por meio da qual amamos a Deus no irmão, ou ainda, amamos o próximo por amor a Deus. É ir além das aparências e chegar à essência do coração do outro. É olhar, conversar, proceder com o próximo enxergando, dialogando e agindo como se fosse o próprio Deus!

      Que diferença seria se assim fizéssemos! Quanto nós estaríamos exercitando a caridade... e com ela, a humildade, o serviço, a gratuidade, a alegria!     

      “Contemplai o vosso próximo em Deus e Deus nele; isto é, olhai-o como uma coisa que saiu do coração e da bondade de Deus, que é  uma participação  de Deus, que foi criada  para tornar-se para dentro de Deus, para ser um dia alojado dentro do seio de Deus para glorificar a Deus eternamente, e na qual Deus será como efeito eternamente glorificado, ou por misericórdia ou por justiça” (São João Eudes).

      Vivendo essas palavras de São João Eudes, compreenderemos o verdadeiro motivo da caridade fraterna. Consideraremos o próximo como obra-prima de Deus, assim como nós mesmos; como filhos de Deus, portanto, nossos irmãos; membros de Cristo, parte do Corpo a que pertencemos; co-herdeiros  do mesmo reino celeste; destinados à mesma pátria eterna que nós.

      “A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo. (I Cor 12, 4-7)

 

      Todas as qualidades da caridade são verdadeiras armas contra os vícios capitais, a saber: soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça, que são os “pecados-cabeça” os quais nos levam a cometer tantos outros.

      A vivência da caridade fraterna inclui não levar o irmão a pecar. Prova disso é o que nos diz a Carta aos Coríntios: “E assim por tua ciência vai se perder quem é fraco, um irmão, pelo qual Cristo morreu. Assim, pecando vós contra os irmãos e ferindo sua débil consciência, pecais contra Cristo” (I Cor 8, 11-12).

 

      Isso é bastante relevante em nossos dias em que se acredita que, a “boa pessoa” é aquela que não invade a “privacidade” alheia. Impera a mentalidade de que “devo fazer bem as minhas coisas e não me intrometer ou incomodar o outro”. Na verdade, a vivência da caridade fraterna exige do bom cristão que vá ao encontro do irmão, antecipe-se às suas necessidades, e se preciso, esteja ao lado para exortá-lo se preciso for!

 

      Amar é uma questão de decisão e não de sentimento. Tanto amar a Deus como aos irmãos é um ato de vontade; é uma decisão concreta. É preciso abrir o nosso coração e imitar a Jesus que humildemente foi ao encontro de cada apóstolo, abaixou-se, lavou e beijou-lhes os pés. Ele que conhecia as fraquezas naturais e os pecados de cada um, deu-nos o exemplo de ir além, de enxergar o sobrenatural que Ele, o Amor, faria em suas vidas.

 

      Que o Espírito Santo infunda sobre nós o maior dos dons: a caridade!

 

      Paz e bem.